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Turnos

Comunicação interna por turnos: o turno da noite e o fim de semana

Numa empresa a três turnos, a comunicação interna não tem um problema de conteúdo: tem um problema de horário. O que se diz às dez da manhã na sala de reuniões chega à noite do dia seguinte, deformado e pela boca de três pessoas diferentes. É isto que é preciso mudar.

·7 min de leitura

Porque é que o turno da noite fica sempre a saber em último lugar

Não é descuido. É aritmética. As decisões tomam-se em horário de escritório, a comunicação prepara-se em horário de escritório e publica-se quando está pronta, o que costuma ser a meio da tarde. A partir daí, cada turno recebe-a quando entra.

  • O turno da manhã recebe-a fresca e com o chefe de turno ali para lhe perguntar.
  • O da tarde recebe-a em segunda mão, contada por quem sai.
  • O da noite recebe-a em terceira mão, com os escritórios fechados e sem ninguém a quem perguntar.
  • Quem folga nesse dia só a recebe dois ou três dias depois, se alguém se lembrar.

O resultado é previsível: a parte do quadro de pessoal que trabalha de noite e ao fim de semana ganha a certeza de que a ela não se lhe conta nada. E é essa certeza que aparece nos inquéritos de clima como «falta de comunicação», quando o que falta é horário.

A mudança de turno é um canal, e tem de ser tratada como tal

Em quase todas as fábricas portuguesas, o canal real de comunicação interna é a mudança de turno: quinze minutos em que quem sai conta a quem entra o que se passou. Funciona muito bem para o operacional e muito mal para tudo o resto.

Funciona para o operacional porque quem sai sabe do que precisa quem entra. E falha para o institucional por três motivos: conta-se de memória, conta-se com a opinião de quem conta, e à terceira mudança de turno já não resta nada da mensagem original.

Escrever para quem o vai ler oito horas depois

Um comunicado numa empresa por turnos é um texto assíncrono, como uma carta. Quem o lê não tem ninguém a quem perguntar e não pode esperar por amanhã para agir. Isso obriga a escrever de outra maneira.

  1. 01

    Datas absolutas, nunca relativas

    «Amanhã» e «esta semana» não significam o mesmo às sete da manhã e às onze da noite. Escreve-se «na quinta-feira, dia 12, a partir das 6:00».

  2. 02

    Quem é afetado, na primeira linha

    Quem não for afetado deixa de ler e não vos custa atenção para o aviso seguinte. «Só linha 2 e manutenção» poupa mais do que qualquer título engenhoso.

  3. 03

    O que é preciso fazer, no imperativo

    Se o aviso não terminar numa ação concreta, não é um aviso, é uma nota informativa. E se não houver ação, digam-no também: «não é preciso fazer nada, é informativo».

  4. 04

    A quem se pergunta às três da manhã

    Um nome e uma extensão, ou o chefe de turno de prevenção. Sem isto, a dúvida resolve-se perguntando ao colega, que é como um procedimento se deforma.

Quatro regras de publicação que resolvem metade do problema

  • Publicar antes da primeira mudança de turno do dia, e não quando o texto estiver perfeito. Um aviso correto às 05:30 vale mais do que um impecável às 16:00.
  • Publicar sempre no mesmo sítio. Se um mês é o quadro de avisos, outro é o grupo e outro é o recibo de vencimento, ninguém ganha o hábito de ir ver.
  • Segmentar a sério. Se o aviso é da linha 2, que não chegue às outras três: as pessoas aprendem depressa a ignorar um canal que lhes manda coisas que não são delas.
  • Verificar por turno, e não no total. O alcance do turno da noite é um número à parte, e é o que diz se o problema está resolvido.

A quarta é a que custa e a que mais muda as coisas. Enquanto o alcance for visto no total, um centro com um turno da noite pequeno pode ficar de fora durante meses sem que dispare nenhum alarme.

Fim de semana, feriados e direito ao descanso

Quanto mais fácil for um aviso chegar ao telemóvel das pessoas, mais importante é deixar por escrito quando se espera que seja lido. Se não se escrever, cada chefia interpreta-o à sua maneira e a conversa acaba na comissão de trabalhadores.

Código do Trabalho

Fixa os períodos de descanso diário e semanal e protege a reserva da intimidade da vida privada dos trabalhadores, também na utilização de meios digitais.

Código do Trabalho — dever de abstenção de contacto

Prevê que o empregador se deve abster de contactar o trabalhador durante o período de descanso, salvo em situações de força maior. Entrou no Código do Trabalho com a revisão do regime do teletrabalho; até onde alcança fora dele é matéria para os vossos juristas, e é precisamente por isso que a política interna se escreve.

  • Se se espera que as pessoas leiam os comunicados dentro do turno ou fora dele. Esta é a frase que é preciso escrever, e não é uma frase da ferramenta: é da vossa política.
  • O que acontece a quem faz ponte e volta com dezoito publicações por ler. O habitual é fixar em cima o que é importante e dar o resto por lido.
  • O que se considera mesmo urgente, e por que via se avisa nesse caso. Quase sempre é o telefone do chefe de turno, e está bem que continue a ser.
  • Quem pode publicar ao fim de semana. Se forem os responsáveis de loja, deem-lho por escrito e com um critério.

Como no resto destes guias: isto não é aconselhamento jurídico. A política de descanso da vossa empresa é fixada pela vossa assessoria jurídica com os vossos representantes dos trabalhadores, e o que aqui está é a lista do que costuma ficar por escrever.

Três casos concretos e como se resolvem

  1. 01

    Paragem de linha não programada

    Publicar assim que se sabe, segmentado só para a fábrica afetada, a dizer desde quando e até quando e o que faz o pessoal dessa linha entretanto. Atualizar a mesma publicação em vez de publicar três avisos diferentes: quem entrar às dez da noite tem de encontrar o estado, não o histórico.

  2. 02

    Mudança de escala de turnos

    Data fixa de publicação todos os meses — o dia 20, por exemplo — e sempre no mesmo sítio. O que transforma isto no conteúdo mais lido da empresa é a constância: se as pessoas souberem que no dia 20 está lá, entram no dia 20.

  3. 03

    Alteração de um procedimento de segurança

    Aqui não basta publicar: é preciso registo de que chegou a cada pessoa do posto afetado. É o caso em que a confirmação de leitura nominal se justifica, e convém explicar porquê antes de a ativar.

Para terminar

O turno da noite é o exame

Se quiserem saber se a vossa comunicação interna funciona, não olhem para a média da empresa: olhem para o turno da noite do centro mais pequeno. É aí que se acumulam todas as falhas de distribuição, de horário e de canal, e é aí que qualquer melhoria se nota primeiro.

A Blastack está pensada para isso: a publicação segmenta-se por centro e por departamento, abre-se a partir do navegador do telemóvel sem conta da empresa, e o dado de alcance sai discriminado por departamento em vez de numa média só. Não envia notificações para o telemóvel, por isso nada toca às três da manhã: o aviso está lá quando a pessoa entra.