O que tem de estar pronto antes de a pessoa chegar
Quase todos os maus primeiros dias vêm daqui: a pessoa chega e ninguém sabia que ia chegar. É um problema de coordenação entre quem contrata e quem recebe, e resolve-se com uma lista.
- Quem a recebe, com nome, e o que acontece se nesse dia essa pessoa estiver de baixa. Há sempre um substituto.
- Cacifo atribuído, roupa de trabalho do tamanho certo e equipamento de proteção individual do posto.
- O posto e o turno concretos da primeira semana, não «logo se vê».
- O registo no canal de comunicação interna, ou o código com que se vai registar ela própria no primeiro dia.
- A equipa com quem vai trabalhar, avisada. Nem que seja uma frase na mudança de turno do dia anterior.
- A documentação que é preciso entregar-lhe e fazer assinar, preparada e na versão em vigor.
Dia 1: o que se explica e por que ordem
O primeiro dia não é para contar a história da empresa. É para que a pessoa consiga funcionar sozinha amanhã. A história da empresa conta-se na segunda semana, quando já se consegue ouvir.
01
O percurso físico
Balneários, cantina, caixa de primeiros socorros, saídas de emergência, onde se pica o ponto, onde é o posto dela e onde está o chefe de turno. Meia hora a andar vale mais do que qualquer apresentação.
02
A formação de segurança do posto dela
Riscos concretos daquilo que vai fazer, equipamentos de proteção e o que se faz se acontecer alguma coisa. É obrigação legal e é ainda a única coisa do dia que pode evitar um acidente nessa mesma semana.
03
As quatro pessoas que tem de conhecer
O chefe de turno, o padrinho, quem trata dos vencimentos e quem é o representante dos trabalhadores para a SST do centro. Com nome e com cara, não com um organigrama.
04
A entrega da documentação
O que é preciso assinar assina-se no primeiro dia, e não quando alguém se lembrar. E fica registado com a versão de cada documento.
05
O canal de comunicação interna
Que entre à vossa frente e verifique que funciona no telemóvel dela. Um registo que fica pendente no primeiro dia nunca se faz.
Obriga a assegurar formação adequada e suficiente em matéria de segurança e saúde no trabalho no momento da admissão, dirigida ao posto de trabalho concreto e atualizada à medida que os riscos evoluem.
As três coisas que ninguém explica
Perguntem a qualquer pessoa que esteja há dois meses num centro o que gostaria de ter sabido no primeiro dia. Saem sempre as mesmas três, e nenhuma está no manual de acolhimento.
01
Como se pede uma troca de turno
A quem se diz, com que antecedência e se é preciso encontrar substituto por si próprio. É a primeira coisa que vai precisar de tratar e a que mais mal-entendidos gera.
02
A quem se avisa se não se puder ir
Um telefone concreto, a partir de que hora e o que acontece com a baixa médica. Isto explica-se no primeiro dia ou aprende-se no dia em que é preciso, mal e com um desgosto.
03
Como se lê o recibo de vencimento
Subsídio de turno, acréscimo por trabalho noturno, trabalho em feriado e como aparecem no recibo. Uma explicação de cinco minutos poupa três idas à administração e uma boa dose de desconfiança.
Ponham as três por escrito num sítio a que a pessoa possa voltar sozinha. Explicadas de viva voz no primeiro dia esquecem-se, porque no primeiro dia não se retém quase nada.
Dias 2 a 5: o padrinho faz o trabalho
A figura que mais muda o acolhimento num centro de produção não são os recursos humanos: é a pessoa do próprio turno a quem se atribui o acompanhamento. Em muitas empresas chama-se-lhe padrinho, tutor ou acompanhante. O nome é indiferente; o que importa é que exista e que saiba que o é.
- Que lhe seja pedido com antecedência e que possa dizer que não. Um padrinho obrigado não acompanha, tolera.
- Que tenha tempo real: não se pode acompanhar alguém e cumprir o mesmo objetivo de produção de sempre.
- Que seja do mesmo turno. Um padrinho do turno da manhã não serve de nada a quem entra de noite.
- Que dure um mês, e não uma tarde. A maioria das dúvidas aparece na segunda e na terceira semana.
- Que alguém lhe pergunte no fim da semana como correu. É o melhor termómetro que vão ter.
E uma coisa que não custa nada: apresentem a pessoa nova no canal de comunicação interna do centro, com o nome, o posto e o turno. É a forma mais barata de vinte pessoas a reconhecerem no balneário no dia seguinte.
O acolhimento de quem entra a um sábado ou de noite
Na restauração, no retalho e nos lares, muita gente começa precisamente quando os escritórios estão fechados. Se o vosso plano de acolhimento só funcionar de segunda a sexta de manhã, não é um plano: é uma exceção.
- Todo o material de acolhimento tem de estar disponível sem que ninguém o abra: no canal interno, acessível a partir do telemóvel.
- A formação de segurança tem de poder ser dada pelo responsável desse turno, com o mesmo conteúdo.
- Alguém dos recursos humanos telefona ou escreve no primeiro dia útil seguinte. Não daí a uma semana.
- O código de adesão ao canal interno tem de estar na pasta do centro, e não no e-mail de uma pessoa da sede.
A verificação do dia 30
Ao fim de um mês, uma conversa de quinze minutos e uma pergunta escrita. Não um inquérito de vinte perguntas: uma.
«O que é que precisava de ter sabido na primeira semana e ninguém lhe contou?» As respostas a essa pergunta, recolhidas ao longo de um ano, são o melhor plano de acolhimento que vão conseguir escrever, e sai de graça.
Se a recolherem por escrito e de forma anónima, ficam ainda com uma coisa que serve para outro fim: detetar que centro ou que turno tem um problema de acolhimento antes de se transformar num problema de rotatividade.
A lista de verificação, resumida
| Quando | O quê | Quem |
|---|---|---|
| 3 dias antes | Cacifo, roupa, equipamento de proteção, turno atribuído | Chefe do centro |
| 1 dia antes | Aviso à equipa na mudança de turno e confirmação de quem recebe | Chefe de turno |
| Dia 1, à primeira hora | Percurso, segurança do posto, registo no canal interno | Chefe de turno e padrinho |
| Dia 1 | Entrega e assinatura da documentação, com versão e data | RH |
| Dia 2 a 5 | Acompanhamento do padrinho no mesmo turno | Padrinho |
| Dia 5 | Como correu a semana, em cinco minutos | Chefe de turno |
| Dia 30 | A pergunta única e a conversa de acompanhamento | RH |
